IBV Auto Abril 2026: Preços de Usados Sobem 0,27% — Desaceleração Marca o Fim do Trimestre
O Índice BV Auto (IBV) de abril de 2026 mostra uma desaceleração nítida da inflação de carros usados no Brasil: alta de apenas 0,27% sobre março, bem abaixo do +0,71% do mês anterior. Para quem acompanha o mercado, o dado sugere que o ciclo de aceleração de preços observado no primeiro trimestre (média de +0,72%) está perdendo força. No acumulado de 12 meses, os preços subiram 6,99% — também um leve recuo em relação aos 7,33% do fechamento de março.

O que mudou em abril
Em março, o IBV foi puxado por modelos premium e populares ao mesmo tempo — Hilux SW4 com +5,17%, Corolla com +1,03% e Onix com +0,94%. Em abril, o padrão se inverte: a alta foi puxada por modelos mais antigos, populares e descontinuados. O Chevrolet Celta liderou com +2,66%, seguido por Fiat Palio (+1,47%) e GM Onix (+0,57%) — este último entre os destaques pelo terceiro mês consecutivo.
Na ponta negativa, o VW Fox foi o que mais caiu (-1,29%), seguido por VW Nivus (-1,00%) e VW Gol (-0,50%). É interessante notar que os três modelos em queda são da mesma montadora — sinal de pressão competitiva específica no portfólio da Volkswagen no mercado de usados.

Variação por região: Tocantins na liderança, Centro-Oeste em queda
A grande surpresa de abril foi o Tocantins, que liderou a variação mensal com alta de +1,97%, seguido por Acre (+1,78%), Amazonas (+1,58%), Amapá (+1,37%) e Roraima (+1,22%). O Norte foi a região mais aquecida do mês, com altas acima de 1% em praticamente todos os estados — movimento expressivo considerando que historicamente o Norte tem menos volume e maior volatilidade.
Na contramão, o Centro-Oeste foi o destaque negativo. Mato Grosso do Sul caiu -0,57%, Mato Grosso recuou -0,48% e o Rio Grande do Sul também registrou queda (-0,45%) — quatro estados ficaram negativos junto com Distrito Federal (-0,12%) e Pernambuco (-0,24%). No total, 21 dos 27 estados ainda registraram alta no mês, mostrando que o cenário geral segue de alta, apenas com menor intensidade.
No acumulado de 12 meses, a liderança regional segue clara: Minas Gerais (+8,52%) e Rio de Janeiro (+8,16%) lideram, seguidos por Amazonas (+7,43%), Alagoas (+7,41%) e Maranhão (+7,28%). Na ponta menor, Mato Grosso (+4,50%), Espírito Santo (+4,85%) e Santa Catarina (+5,17%) — todos ainda em alta, mas em ritmo bem mais lento.


Elétricos continuam desvalorizando rápido
O dado mais relevante para compradores de carros elétricos: a depreciação dos modelos elétricos seguiu acelerando em abril. Modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de -45,6% até abril de 2026 (era -44,6% até março — piorou em 1 ponto percentual em um único mês). Modelos elétricos de 2022 já perderam -49,0% do valor original.
Comparativo do ano modelo 2023: - Elétricos: -45,6% - Híbridos: -25,2% - Combustão: -19,3%
A diferença é estrutural: a entrada constante de modelos elétricos novos no Brasil — com tecnologia superior e preços mais agressivos — pressiona o valor de revenda dos modelos antigos. Se você comprou um elétrico 2023 por R$ 250 mil, vale algo perto de R$ 135 mil hoje.
Para quem está comprando, o lado bom: é a melhor janela dos últimos anos para entrar em um elétrico usado com desconto significativo. Para quem tem um elétrico para vender, o sinal é claro — esperar não vai ajudar.

O que isso significa para você?
Se você está vendendo um carro popular (Onix, Celta, Palio), abril ainda foi um bom mês, mas o ritmo de alta diminuiu — se for vender, não há ganho esperando muito mais. Se você tem um VW Fox, Nivus ou Gol, a queda foi expressiva: considere vender logo ou aceitar segurar com preço pressionado. Se está no Centro-Oeste e quer comprar, espere mais um mês: os preços recuaram e podem continuar pressionados localmente. Para elétricos usados, abril confirmou: comprar tem desconto cada vez maior, vender tem urgência cada vez maior.
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